Sozinho na Terceira Idade é a normalidade

Sozinho na Terceira Idade é a normalidade.

Será por que?

 

Sozinho na Terceira Idade  é a normalidade e estar acompanhada de marido sessentão e filhos quarentões é a exceção. Estar sozinho nem sempre quer dizer solidão.

pessoas-envelhecidas. Envelhecer Sozinho na Terceira Idade.

Ao chegarmos à década de mais de 60 somos vencedores. Vencedores da guerra de viver.

Ao longo do caminho vamos acumulando ganhos em conhecimento, cultura, tecnologia, e somando experiências de vida, que nos apontam os caminhos certos e errados pelos quais caminhamos e não podemos muitas vezes retomar nossos passos e refazer o caminho.

Mas podemos pelo menos viver melhor o presente e olhar o fim da estrada com otimismo ou descrença.

Chegando aos mais de 60 anos não acumulamos só ganhos, mas também perdas, muitas por sinal.

Geralmente, primeiro perdemos nossos antecedentes como avós, pais que tanto amamos. Depois os filhos que crescem e como ovelhas se desgarram e vão viver suas próprias vidas, fica então, o velho e a velha ainda apenas amadurecidos, entretanto, uma fatalidade ou um fato normal leva um dos companheiros e o outro fica só.

Estes são os caminhos normais da vida. Crescer, multiplicar, amadurecer, fenecer.

Por mais que jornalistas, a sociedade e os próprios sessentões queiram dizer que a vida começa aos 60, que a terceira idade é a melhor idade, todos nós sabemos que não é bem assim.

Só 40% dos velhos tem um status financeiro que lhe dá liberdade para viver a vida como quiser.

Apenas 20 ou 30% continuam casados com o primeiro amor e ainda tem seu companheiro ou companheira vivo. Muitos homens aos 50 vão embora achando que trocando de cama, vão revigorar a potência e a mulher que fica sozinha aos 50 anos tem dificuldade de encontrar novos parceiros de sua idade.

Podemos estimar que menos de 10% dos mais de 60 tem higidez completa (ou seja, saúde perfeita), pois a maioria tem hipertensão, insuficiência cardíaca, já fizeram cateterismo, são portadores de diabetes ou reumatismo o a temível artrose da coluna ou dos joelhos.

Trocando em miúdos a maioria dos sessentões, vamos julgar para baixo 60% são como carros recondicionados, estão úteis para o trabalho, mas sempre dão um enguiçada no momento que se exige muito ou mais do que o corpo ou mecanismo é capaz de oferecer.

Reuniões, Encontros, Grupos de Facebook, Sites voltados à Terceira Idade.

Mas de todas as mazelas da vida, para o sessentão, a pior de todas é estar só.

Conheço pessoas de idade que acordam, tomam o café da manhã e sentam-se em frente à TV e ali passam o dia calados, sem fazer nada.

Outras pessoas fazem diferente, levantam, tomam café, um bom banho, vestem uma roupa bonita e saem para a rua e vão lotar ônibus, metrô e caminhar em shoppings sem motivo algum, só para fugir da SOLIDÃO.

Outras que vão para as pracinhas fazer exercícios, mas quando chegamos perto delas para conversar vão saindo devagar, desconfiadas e amedrontadas.

Conheço outras ainda que acordam e antes de tomar café já estão na internet para ver fotos no Facebook e compartilhar ou curtir e fazer mais nada.

Conheço ainda outras pessoas de terceira idade, que levantam cedo pegam ônibus e andam trajetos para ir fazer faxina para ter o que comer. E quando a saúde não mais possibilita este trabalho se trancam para morrer sozinhas.

Tudo isto eu vejo discutido em sites voltados à terceira idade – como A TERCEIRA IDADE, PORTAL DO ENVELHECIMENTO, GEROVIDAS e outros. Sites estes que encaram o envelhecer não como um jardim de infância, mas como algo sério que exige providências da sociedade como um todo.

GRUPOS DE ENCONTRO

Hoje a Folha fez um artigo sobre um grupo de encontros nascido no Facebook através de pessoas que frequentavam um antigo site chamado MAIS DE 50 e que fechou após evento do Facebook. Muitos sites foram fechados pelo Facebook porque ele chamou a si tudo que estes outros sites ofereciam de lazer para a população e o www.maisde50.com.br foi uma das vítimas como o Orkut e outros. (lembrando que este texto foi escrito a um ano).

Mas o que eu quero comentar é que o artigo foi muito bem formulado, muito bem pensado e muito bem escrito.

A pesquisa da Jornalista foi perfeita. Ela focou não só o MAIS DE 50 saudável e festeiro que participa de encontros que busca companhia para fugir de sua solidão, como também focou o profundo sentimento de perdas que as pessoas mais velhas carregam consigo.

A Jornalista também focou a necessidade de uma tomada de posição da sociedade como um todo, as vantagens de se montar encontros para promover a socialização e criação de vínculos de amizade entre as pessoas de mais de 50 anos.

É o que eu venho postulando neste blog. Não interessa quantas pessoas vão se reunir, o importante é que se reúna.

Convidem amigos para um chá da tarde em uma lanchonete, um almoço em um restaurante por quilo. Quatro ou cinco pessoas já são uma reunião. Quatro ou cinco amigos já é o suficiente para passar algumas horas de lazer em um shopping, numa praça, etc.

O IMPORTANTE É TROCAR, FAZER AMIGOS, ENCONTRAR MÃOS QUE APERTEM NOSSAS MÃOS. ALGUÉM QUE OUÇA NOSSOS RECLAMOS, que tolerem nossas divergências.

Meu nome é Regina Celia de Souza, tenho 70 anos vividos, curtidos, sofridos. 70 anos de corrida louca contra o tempo para construir algo. Mas, sou mais uma dos sessentões que se sente só, porque a vida é uma estrada é nós podemos ser comparados a um carrinho que vai se lotando a partir do nascimento com pais, irmãos, amigos, colegas, maridos, esposo, amantes, namorados, filhos e até bichinhos de estimação.

Depois do carro bem lotado, ele vai derramando pelo caminho parte de tudo que mais amamos e no final olhamos para o vazio da carroceria, pois na frente dirigindo nosso destino só estamos nós mesmos e só podemos encher de novo o caminhão com NOVOS AMIGOS, NOVOS SONHOS, NOVAS ESPERANÇAS.

ATENÇÃO: este texto foi escrito há tempos para outro blog a COMUNIDADE DOS SESSENTÕES que deletei e estou postando os artigos escritos lá aqui no Terceira Idade.

Autora, Regina Célia – São Paulo, 24 de junho de 2016

 

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